18.10.17

DIÁRIO DE UM PROFESSOR XIII

Ultimamente, meu tempo ocioso anda ainda mais escasso. Trabalhar em três escolas não é muito fácil. Ministrar 54 aulas por semana é uma saga quase hebraica.
Mesmo assim, gosto do que faço e me sinto bem quando estou em ambiente escolar. A magia da sala de aula, os desafios de estar ali, na frente, sendo ouvido por alguns indivíduos me satisfaz.
Confesso que estou muito mais tranquilo depois que consegui concluir (ufa!) o mestrado na UFG. Foram dois anos muito puxados e de MUUUUUITO estresse. Mas, felizmente, terminei e sou Mestre em Estudos Literários pela UFG.
Como minhas preocupações não terminam, atordoa-me a chegada da prova do ENEM 2017. São tantas as incertezas que acabo contaminando muitos de meus alunos.
Não é fácil e nem quero que seja!
Ser professor é lutar diariamente para vencer tudo e todos.

17/10/2017.

IRMÃOS

Os olhos do outro,
a boca, os trejeitos,
as mãos, os lábios,
a pele, o semblante.

Sempre vejo no outro
aquilo que procuro.

22.6.17

Cicatriz

Tomou-me pelo pé,
possuiu-me sem alarde.
Chegou-se a mim sem bajulação
e logo me subiu pelas pernas.
O destino, lamentei desde o início,
era o coração, onde pouco tempo ficou.
Subiu à cabeça, ao cérebro,
ao centro do meu ser.
Deixou ignorância,
repugnância, não-aceitação.
Plantou a semente da discórdia
e se foi, como se nada acontecesse.

Eu, chateado e triste, fiquei.
Fiquei sem rumo,
perdi o sorriso,
ganhei esse vazio,
essa ânsia de não poder,
essa sensação de fraqueza
diante desse ser que me feriu.

7.9.16

PONTUAÇÃO

Isso é vida,
vida é isso.

Isso é vida?
Vida é isso?

Isso é vida;
vida é isso.

Isso é vida,
vida é isso;
isso é vida,
vida é isso.

Isso é vida?
Vida é isso?
Isso é vida?

Vida é isso!
Isso é vida!
Vida é isso!

Ritmo, cadência,
tudo girando em torno do
ISSO!

17.7.16

AMOR

Teu olhar
no meu olhar:
Puro amor!
Tuas mãos
nas minhas mãos:
Carinho sincero!

Teu sorriso
e meu sorriso:
Alegria eterna!
Teu amor,
nosso amor:
ETERNO!

Julho de 2016.

2.7.16

DESABAFO

Tentei não te magoar,
não me desiludi,
deixei para lá.

Tentei não chorar, fingi
que estava tudo bem,
um dissimulado riso sorri.

Mas me trataste com desdém,
ignoraste minha sinceridade,
fui para ti apenas mais um alguém.

Hoje, sem ter como dizer a verdade,
resta-me o lamentar, o sofrer,
ficar remoendo a passada realidade.

Sem ter como prever,
fui deveras afetado pelo teu egoísmo,
teu narcisismo não consegui conter.

E, se neste meu ceticismo
perco os meus dias,
é por acreditar no teu impossível mutacionismo!

20.3.16

Solidão

Esse vento gélido,
essa noite apática;
o mundo a descobrir
e o tédio a me corroer.
Quero amar, amar sem medida,
amar no sentido literal,
amar o tudo no nada!
Hoje, porém, negras cinzas,
escuridão, sombras,
tudo me parece trevas!
Há um buraco, um quase caos;
ecos da partida,
ecos da lembrança,
ecos das desgraças passadas.
Falta o tudo,
sobra o nada
neste mosaico de desprezo.

Ferimento

Rasgou-se a pele...
Carnes rubras, dor...
Semicírculo branco,
branco, branc...
branc, vermelho,
branc, vermelho,
bran, vermelho,
br, vermelho,
VERMELHO.

Ardência, vasos sanguíneos.
Oxigênio, endurecimento.
Uma casca mole...
Endurecimento...
Pedras de recifes, casca:
Regeneração.

25/10/2012
A estrela se aproximou da lua,
a lua não gostou, fez-se minguante.

A estrela ganhou destaque,
parecia cintilar mais,
parecia crescer mais,
mas a lua não gostou, fez-se indolente.

A estrela foi vista no céu,
apontaram para ela,
cogitaram a sua queda
(disso a lua gostou!).

12/09/2000

As palavras surgiram assim serenas.
Os lábios pronunciaram
o que já na abstração existia.
Um simples sonho,
paixão iniciada.
Confissão: "Sonhei contigo".
Então, rosto e mão:
Unidade singular de uma carícia.
Partem... Vão embora
os impedimentos de outrora.
Na irrealidade do sonho,
fez-se a materialidade de um amor.

21/05/2013.

Sem você

Sem você,
o mundo é sem graça,
a dor de amor não passa.!

Sem você,
a noite é uma eternidade,
a vida se perde em futilidades.

Sem você,
a pétala sua, desidrata,
a lua escurece, não é de prata.

Sem você,
a razão vira agonia!
Então volte, ó poesia!

(02/09/2009)
A árvore cinquentenária
é o pouso ao moribundo.
Sujo, mescla-se à escória:
é papel sem valor
(logo pensam).
O poeta, porém,
transeunte por essência,
reconhece-se no mendigo.
São seres marginais,
marginais em sua integridade,
marginais em suas existências.

(08/09/2009)

20.10.15

Diário de um Professor XII

Nesta semana, pareço carregar o mundo em minhas costas. É a semana da prova do ENEM e os alunos precisam sair bem nessa prova. Vamos ver no que dá isso...

28.7.15

Lembrança

Suaves sons emitiram,
delicadas carícias trocaram:
estavam amantes.

Mudez inicial desaparece
(são desnecessárias as palavras):
beijam-se rapidamente.

Rubra cor lhes cobre a face:
temem, rememoram, ocultam...

Na tentativa de ocultar, 
mais viva tornam a lembrança:
eternizam o instante!

22.1.15

DIÁRIO DE UM PROFESSOR XI

Há quanto tempo não escrevo aqui... Já havia até me esquecido de como é bom deixar registrada a minha difícil tarefa de existir em um meio onde há o "esfriamento das relações interpessoais".
O ano começou agitadíssimo. Aliás, este ano será bem diferente em minha vida. Como resolvi cursar o mestrado, tive de abdicar de algumas das minhas aulas para que conseguisse ter uma boa performance na vida acadêmica. Porém, deixar algumas aulas é também deixar algum dinheiro de lado. Mas, vou me virando e tentando resolver tudo da melhor forma possível.
Na semana passada, saiu o resultado de um exame seletivo para que os alunos ingressem em faculdades pelo país todo. Para minha alegria (e penso que para a dos discentes também), muitos se saíram muito bem na redação. Destaco uma aluna do 1º ano que tirou 980... Isso agora me enche de ainda mais responsabilidades, mas delas não fujo!
Hoje, ainda não sei bem como ficarão meus horários de aulas... Sei que durante dois dias não estarei em casa (o mestrado fica em outra cidade) e que nos outros dias minha carga horária é cheia.
Que Deus me dê forças para continuar e saúde para trabalhar...

3.1.15

VIDA (DIVA)

O corpo belo
(adequado).
O nome trivial
(aceitável, apenas).

No sorriso, oculta,
oculta a clareza
que a faz sublime.

Se do pensamento
a tua imagem me foge,
recorro às palavras.
Aí te mostras dócil:
meneias o manjar divino.

Na pronúncia do teu nome,
perco-me em melodias:
som sereno se associa ao ser
(és eterna em tua efemeridade).

Sem saber, parodio enredos:
o amor que nos aproxima
é o mesmo que nos afasta.

Afastamo-nos da vida real!

04-06-2014

11.7.14

PESO

Ser contado entre os que vencem:
pesada carga a carregar
(acúmulo de expectativas
depositadas/impostas)
rumo a lugar algum.

                           25/11/2013

3.7.14

Constatações

O acúmulo de lembranças confunde:
Há momentos,
mas corpo não há mais;
há essa dor,
mas a ferida já não incomoda...

O acúmulo de lembranças é a pedra,
a pedra que mostra o nosso grau de humanidade.

27.12.13

Palavras

As palavras eram só palavras,
mas deram-lhes vida,
deram-lhes significado real,
conjecturaram, inferiram,
divulgaram, alardearam,
explicitaram o que nem
no implícito estava!

Malditas palavras!
Saíram do dedo
e mesmo assim se encorparam,
criaram o que não criei,
construíram o que não projetei.
Geraram esta inquietação,
levantaram um muro
afastando quem estava próximo
(de fato).

São malditas as palavras,
mas não hei de deixá-las!

02/06/2011

26.12.13

Ano Novo

Esperar mais um ano chegar
é como esperar uma vitrine de estranhezas.
Pensa-se num novo emprego
(que talvez nunca se consiga),
pensa-se numa nova namorada
(que talvez nem seja tão nova assim),
pensa-se em uma nova vida
(tão velha de antigos desejos).

Esperar mais um ano chegar
é uma forma de fugir do hoje
sem deixar que o futuro
traga de fato apenas novidades.

14.12.13

O canário

Canta canário, não para de cantar.
Com teu canto, em cada canto,
encanta quem na vida
aprendeu a amar.



10.11.13

Reféns

Vivemos o tempo dos homens sem tempo,
o tempo dos desiludidos em massa,
o tempo da procura pelo nada, 
o tempo em que querem chegar
sem ao menos terem saído!

Vivemos o tempo das células-tronco,
o tempo do progresso e do retrocesso,
o tempo da paz que é gerada pela guerra,
o tempo em que ter vale mais que ser,
pois mais vale a "cédula-tronco".

Vivemos o tempo
(ou ele nos vive?)
em que nada mais podemos fazer.

O tempo do futuro sem presente.

O tempo dos que têm sede de si mesmos!

Vivemos o tempo do tempo
(não o nosso).

13.10.13

Banalidades

Ela chega devagar,
como quem nada quer.

Ela me provoca, seduz,
ilude e foge...

Dor

Fel
fatos
final.

Lamúrios
lamentos
leniência (?).

(Re) Viver
(Re) tomar
(Re) alimentar?

18.7.13

Professor em férias

Há uma praia, às margens do Rio Tocantins.
Ali, em meio aos hedonistas,
refugio-me para descansar.

Meio estranho, meio deslocado,
ouço uma música de fraca letra
(uma tal de "Vai no cavalinho...").

Tento fugir, tento correr,
mas estou em férias. 

Tento me distrair, 
tento me divertir,
mas percebo que um professor em férias
é sempre um professor (crítico e cético).

9.7.13

Musa Fujona

Era um lugar público.
Havia pessoas em seus afazeres carnais,
hedonistas até!

Olhei meio duvidoso...
Olhei por um lado, mergulhei...
Olhei mais de perto, mergulhei...
Fui, voltei....

Não havia dúvida: vi Gabriel Nascentes
(pensei num átimo).

Aproximei-me, conversamos,
ele discorreu sobre a sua obra
e estava com uma filósofa.

Conversamos, trocamos e-mails,
fui-me dali.

Ao sair, ainda o ouvi gritando
(para a moça que estava ao seu lado):
- Não se vá, Musa Fujona!

31.5.13

Aliterações *

Breve boom,
bate-boca,
boa brisa:
sons suaves e sinceros.

Bate porta,cai café,
roda rangendo:
tortos tons tecidos.

Gordo grito,
pretos pios,
voz vincada:
sonora sina soada.

25/04/2013
* Título alterado após uma sugestão de um leitor.

A pena



A pena a planar perene...

Na suavidade de seus passivos movimentos,
ela é conduzida para cá,
para lá, para aqui,
para acolá e ali.

Sua rota sem rumo
experimenta a liberdade.

Tensão...

Gota cai ali, cai acolá,
cai ali, acolá
e aqui.

Pequenos pingos:
pena pesada.

O chão e o esquecimento
e a letargia...

30.5.13

Contemplação

tela Soltando Balão (Aírton das Neves)


É noite.

A igrejinha ao fundo pode ser a prova:
há festa de São João,
há um festejo religioso.

Crianças, ao centro,
brincam com um balão
(tão proibido hoje).

Um homem chega a cavalo,
outro homem chega a pé (com familiares -
três filhos e a esposa, talvez).

A paisagem parece serena;
a vila, aconchegante.

Sinto paz!



25.5.13

A importância da moela

Não raro, lembro-me do tempo em que ainda cursava Letras. Tempos difíceis, mas nem por isso menos saudosos...
Ainda agorinha, recordei-me dos almoços em que degustava moelas de frango. Tarefa árdua era cozinhá-las!Eu, na minha singela escassez monetária, não tinha nem uma (ou nenhuma mesmo) panela de pressão. Haja cozimento para tão dura peça da anatomia "franguiana". Aquele cheirinho de caldo de frango, que usava para imaginar o sabor de toda a citada ave, dá-me até hoje uma salivação extrema.
Aliás, não entendo porque as pessoas preferem outras partes do frango à suculenta moela.
Viva a moela que a tantos universitários alimenta!
Santa moela!

28.4.13

A linguística das sensações



As palavras exalaram um cheiro estranho:
odores fétidos a consumarem o mal.

Há pouco, o perfume criava
lindas e belas imagens.
Agora, o olfato se inquieta
com a lembrança do aroma.

As palavras, mais uma vez,
destruíram os períodos compostos:
volta-se, então, aos períodos simples,
às frases absolutas.

23.4.13

Estranhamento



Começo sozinho.
Logo, porém, alguns aparecem.

Não estou só!
Somos dois, três,
muitos, talvez.

Percebo que não estou só,
mas me desespero:
Terão mais força do que eu?
Chegarão ao destino?
Deixar-me-ão para trás?

Não estou só,
infelizmente.

Prossigo o jogo, então...

Há esperança de chegada.

29.3.13

Surpresa



As palavras aparecem,
tomam forma,
viram frases, períodos,
parágrafos até.

Há um poema,
há algumas palavras trocadas,
há o início da comunicação.

Pouco sabem um do outro,
mas iniciam a belíssima
tarefa de conviver.

Há empatia entre eles:
gostam de ler,
gostam de escrever,
gostam de conversar.

Há empatia entre eles.

São parecidos,
são co-irmãos,
são almas gêmeas.

Gêmeos nas letras,
gêmeos no agir.

Violência

"Ela estava brincando com a criança",
disse o taxista.

Brincando de matar,
de maltratar,
de enganar um ser tão pequenininho...

"Eu o asfixiei com a toalha",
friamente disse a assassina.

Mais uma criança morta,
cruelmente assassinada,
mais um futuro interrompido
pelos desvios de uma mente,
uma mente criminosa.

Uma falsa mulher
(não acredito que seja mulher
quem tira a vida de uma criança).

Em um quimono azul,
a criança sorria.

Quanta ingenuidade,
quanta pureza,
quanta paz em seu olhar.

Agora, repousarás no céu,
livre desta leviana vida
onde o ter sempre vale mais,
onde o ser quase inexiste.

Vá em paz, criança de Deus.

17.2.13

Clamor

Senhor,
sei que tu me sondas
e me olhas por dentro;
sabes tudo que quero,
alivias meus tormentos.
Sabes tudo mesmo, Senhor.

Pai, a jornada é árdua,
é cheia de tropeços;
tento erguer a cabeça,
meus erros reconheço.
Sabes que sou pequenino, Senhor.

Deus,habita em meu ser,
comanda mesmo a minha vida;
acaba com a dor, cicatriza a ferida,
guia sempre o meu caminhar.

Senhor,
escuta a minha prece,
venha ao meu auxílio;
não temos mais a morte,
pois creio que o teu filho
veio mesmo para nos salvar.

Deus, há uma alma sedenta
esperando teu socorro;
há um coração aberto
só clamando o Teu nome.
Sei que vais me ouvir, ó Senhor!

21.1.13

Viagem

As pequenas curvas dançam,
dançam entre o pára-brisa
e o painel do carro.
Há várias serras,
há uma estrada rural,
há uma morsinética quebrada.

o sol que racha,
a testa que rechaça
a chance do outra vez.

Contemplação

A nuvem
é o chão do céu.

a blusa
está suja de água.

O mosquito
nada na piscina.

O gato
é o cão do rato.

23-12-2012

"Você não me ama mais"

Simples constatação,
complexas consequências.
O afeto,
o companheirismo,
o amor (consumado)...
Entram, agora,
separação,
ira,
raiva até.
Remoem-se rancores,
aduba-se a ferida,
vomitam-se, irreversivelmente,
impropérios verbais.

09-08-2012

Palavras

Essas palavras...
Há pouco celebravam,
agora lamentam!
Há pouco construíam,
agora dizimam!

Essas palavras...
Agora, inquietam,
há pouco acalentavam!
Agora entristecem,
há pouco coloriam a vida!

Malditas palavras...
Agora há nelas a ambiguidade,
há no agora a incerteza do amanhã!

Palavras malditas: sina poética,
poéticos rumos ignorados.

22-06-2012

5.1.13

o sim!

As mensagens se aglomeram no pensamento,
as ações faltam no mundo real.
Há um corpo, parado, envelhecido.
Há uma vontade, ativa, nova.
Nessa ambivalência, o poeta prossegue,
mas já sabendo a dor que o espera.

Divagações

Pequenos pigmentos pretos,
pontinhos perto da pele:
a derme perde a densidade,
o vigor de outrora.

Há uma cor não colorida,
uma paz meio retorcida,
uma sensação de vazio
mesmo estando em meio ao povo...

Preto pigmentos pequenos,
perto da pele há pontinhos:
a densidade a derme perde,
de outrora o vigor já era!

3.1.13

Constatação

O Homem chega,
aluga o coração por alguns dias,
ilude o outro ser por alguns meses,
cria um microcosmo em alguns anos
e faz o outro ser sofrer
por toda a vida.

1.12.12

DIÁRIO DE UM PROFESSOR X

Que loucura! Tanta coisa a fazer e tão pouco tempo para executar as obrigações mais simples. Ontem mesmo, durante o almoço, notei que eu nem mesmo sentia o gosto da comida. Engolia como se engole uma saliva: a sensação de "é preciso fazer tudo muito rápido" chegara até os meus hábitos mais simples.
Hoje foi um dia um pouco mais tranquilo. Nas minhas turmas do noturno, os alunos andam bem escassos, talvez reflexo do fim de ano. Nas turmas diurnas, há falta também, mas alguns ainda querem posições melhores no vestibular (e isso muito me empolga e anima!).
Aliás, em algumas aulas hoje fiz uma intensa reflexão com meus alunos. Notei que eles precisavam retomar o caminho da vitória. Vi algumas lágrimas e, ao fim, senti-me feliz por ter suscitado neles um análise do que realmente importa para a nossa vida.
No decorrer desta semana, andei meio triste, cabisbaixo. Há palavras que nos dizem que parecem ser dissolvidas lentamente. Machucam. São sodas cáusticas colocadas em nossa carne. Corroem, fazem sangrar, incomodam... Mesmo assim, preciso prosseguir.
Um convite de trabalho muito me alegrou e confirma que continuo no caminho certo (graças a Deus!).
Que dias ainda melhores possam vir!

28.11.12

Decepção

As palavras saíram letais,
ditas meio sem rodeios,
ditas com a intenção de ferir!

Chorei...

Resignei-me, iludi-me
com alguém que se dizia
"preocupada comigo".

Não comentei nada,
não retruquei nada!
As palavras foram ditas
com a intenção de ferir!

Chorei.

17.11.12

O monstro

Uivos, latidos, gemidos...
Talvez seja tudo isso junto.
Um cão parece pedir socorro...
Ouvem-se chicotadas,
sensação de dor,
latidos incessantes...
Chicotada aqui, chicotada acolá,
chicotada abafada, chicotada certeira...
O cão, sem ação, olhar meio vidrado,
olha para o dono.
O cão não entende, não compreende
a animalização do Homem.

A casa amarela

O lugar é o mesmo,
a casa é a mesma,
as lembranças também.

O cheiro da relva verde,
o cachorro que late altissonante,
o porco triturando um milho roxo...

As lembranças permanecem,
mas na casa não há mais o pai,
a madrasta, os irmãos...

Onde está o caseiro? Morreu!
E a represa onde havia uma jangada?
A represa secou, a jangada se quebrou.

A casa amarela é a mesma...
As lembranças se perpetuaram.

A casa amarela é o passado,
é o presente e será o futuro
de uma lembrança eternamente pretérita.

10.11.12

Diário de um professor...

Os dias não têm sido como eu queria que fossem. Mesmo assim, resta o continuar caminhando...
Minhas duas últimas semanas não foram das mais tranquilas. Quanta coisa a fazer em tão pouco tempo! Quantas pessoas precisando de mim, quantas provas a elaborar, exercícios a resolver, sorrisos a provocar, testas a enrugar... Sim, vivo dos paradoxos. Isso, talvez, pode até ser o que me move. Aliás, se não fossem tais desafios (unir o heterogêneo), não haveria motivos para que eu lutasse tanto. Uns entendem a mensagem que emito, outros preferem ignorá-la. Juntar os opostos, unir o que não se uniria nunca. Fardo pesado para quem é só um em meio a tantos trilhões de laços a desatar.
Sinto falta de algumas pessoas que já alçaram voo. Sinto falta de alguns "alunos-amigos". Vez ou outra, uma mensagem me surpreende. Um SMS meio saudoso, porém, não aplaca a saudade.
Nestes últimos dias, várias são as pessoas que andam bem próximas a mim. Novos alunos, novos discípulos a me ajudarem. Eles me fazem sorrir, mostrando-me que preciso continuar. Eles me mostram o quanto minha profissão é mesmo importante para tentar mudar as coisas ao meu redor.
Agora, uma nova esperança é configurada. O ano letivo termina e as esperanças começam a se renovar.
Aguardar, aguardar e guardar as forças para a  última corrida.

14.10.12

A morte de um cão

Pronunciam-se pífias palavras,
chuta-se, bate-se, escarnece-se...

 O pequeno animal irracional, caído,
geme, uiva, sofre a irracionalidade
 do dono que se diz humano.

 Pequenas gotículas vermelhas,
pequenos pontos rubros brotam no focinho
 e escorrem, escorrem,
e
 s
c
o
 r
r
 e
 m
pelo ouvido, focinho e boca...

 Um último respirar: um adeus a este mundo,
 um "você não devia ter feito isso",
 um latido de incompreensão
 diante da ação do seu "dono".

3.9.12

(Re)Ação

Dor, maldita dor!
Não és física, pois atormenta o pensar...
Não és solucionável, visto que és abstrata...
És dor e nisso se sustenta.

Aceitar-te é não agir,
é querer dar o tudo a quem nada merece.

Dor, hás de passar, hás de ser breve.

Analgesias, várias, então, perpassam a alma!

19.7.12

Aprendizado

Na praça,
aprendeu a amar,
aprendeu a beijar,
aprendeu a sonhar,
aprendeu a aprender.

Na praça,
viu traições,
vislumbrou corrupções,
visualizou assassinatos,
viu o mundo todo confuso.

Na praça,
notou que não valia a pena viver,
chorou, implorou,
pediu a mão da amada e
descobriu que nada na vida
é mesmo do jeito que passa
na televisão da praça.

16.7.12

Descabida realidade

Os abraços se foram,
as promessas minguaram,
os corpos se afastaram.

Se o amor se diz eterno,
como morre tão secamente?

Essa realidade descabida
frustra quem intenta
viver o que não existe.

9.7.12

Brasília

Lembranças em lampejos...
Uma farda, um nome,
um candidato a ser nada...

Há sonhos, há planos:
todos desfeitos pelo optar!

Vivas, as feridas doem.
O poeta sofre e geme
e treme e chora, então.

1.7.12

REVIRAVOLTA

Rudes momentos...

Tormentos mil voltaram
e incomodaram,
e magoaram,
e irritaram
e...

24.6.12

Ruralidades

Amarrado e subestimado...
Uma picada, um salto...
Uma picada, um salto,
uma picada! Um salto e um berro...

Várias picadas, um salto,
um berro e um gemido.

Sangue, sangue...
Pulos, picada, picada,
picadas...

Bicho se fez, então,
quem se dizia humano.

9.6.12

Passado incômodo

O sabor dos beijos,
o apetecer dos corpos,
o apertado abraço...

Como dói ter apenas lembranças
de um passado que teima,
teima em não ficar no antes.

26.5.12

(des) esperança


As esperanças voltaram...

Um olhar, uma frase,
alguns versos...

A capacidade de sonhar voltou
e em concretos momentos.

21.5.12

Anestesia


Os olhos não disseram,
os lábios não viram,
os ouvidos não sentiram...

De fato, as entrelinhas
(às avessas)
confundem os sentidos
dos que se dizem amantes.

Descoberta


Este sorriso veterano,
estas rugas a tornar marcada a face...

O Homem definitivamente caminha
ao encontro da morte.

13.5.12

No tempo do antes


No meu tempo, ao soluçar uma criança, colocávamos uma linha vermelha em sua testa (não sei bem qual era o milagre rubro!). No meu tempo de criança, não se poderia, jamais, em hipótese alguma, questionar a fala de um adulto. No meu tempo de adolescente, sair não podia, estudar é o que se devia fazer e, aos domingos, ir à missa sempre com a família. No meu tempo de adulto, vejam só, tudo mudou e eu, criança-adolescente, perdido no túnel do tempo, esqueci que o meu tempo e e sempre será o tempo de se esperar o respeito ao passado.

6.5.12

Indignações


As cenas são muitas
incomodam, inquietam...
O que fazer se as lembranças
são o norte motivador
daqueles que a cultivam?
O que fazer quando no pensar
reside o maior mundo do poeta?

1.5.12

Inseticida

O gafanhoto estava lá, parado, parecendo vigiar alguém. Veio o Homem, deu-lhe uma chinelada: a morte ainda não veio para bichinho. Múltiplas chineladas: verdadeiras metralhadas. O esverdeado ser finalmente pereceu, alegrando o pífio ser humano. Os marimbondos estavam lá, em grupo, no coqueiro... Veio o mesmo Homem, ateou-lhe fogo: pequenos pingos pretos caíram incendiados. Sem defesa, os invertebrados feneceram e se juntaram ao gafanhoto (e a outros tantos animaizinhos) no cemitério do além, onde certamente não haverá a maldade humana.

28.4.12

Ressentimento

As cenas se repetem, os gestos são os mesmos: as atitudes também! Uma vida de labor, momentos de temor, dúvidas cruciais... A dor é a gênese do que precisava ser escrito, do que deve ser escrito! Sem norte, ruma o poeta a algum lugar ermo...

6.4.12

Banquete

A vida perdida em minúsculos anseios;
em grandiosos problemas se embaraça
o já malfadado coração!

A sina continua:
o cardápio de tristezas
parece infinito!

1.4.12

Desânimo

As esperança de um novo dia
trazem junto as frustrações
do que ainda não foi resolvido.

O menino que não queria pescar (a narrativa que gerou o livro)

Ele ainda dormia o seu vespertino sono quando o pai o acordou.
Costumeiramente, seu Albino convidava o filho para pescar. Até aquele instante, a criança jamais quisera ir. No entanto, após reiterada insistência dos amigos, o velho pai resolveu que daquele dia não passava: o menino iria aprender a pescar hoje!
Ainda meio sonolento, a criança foi conduzida até a parte atrás do tanque da cozinha, onde havia uma terra permanente irrigada pela água que escorria da pia. A água suja de sabão, com seus pequenos grãos de arroz ainda mais dilatados e algumas peles de feijão... Essa sujeira não incomodava as minhocas que por ali faziam morada.
Com um enxadão, o pai subia e descia (como um pêndulo da morte) o objeto a fim de retirar da terra alguns futuros petiscos para o peixe. Uma das minhocas foi partida ao meio, deixando escorrer um líquido meio amarelo-avermelhado. Ao olhar para a loca então feita, o menino ainda viu o anelídeo se contorcendo todo após a fragmentação. Subitamente, o menino tremeu e soltou um grito de espanto. O pai se assustou e nem teve tempo de brigar com a criança, visto que ela já percorria o caminho de volta à precária casa em que morava com os pais.
Chegando à velha choça, o Ditinho não conteve as lágrimas e a mãe logo notou que algo errado havia. Prontamente, ofereceu colo ao garoto. Este se contorcia, remoendo o minhococídio que acabara de vislumbrar.
Não demorou muito, o pai chegou bravio e altivo. Gritava e berrava. Nenhum animal da pequena propriedade ousava ter sons mais altos que o Seu Albino. Ele gritava e todos obedeciam.
- É hoje que esse menino toma tipo de homem!
Protegido pela mãe, Ditinho parecia confiar que esta intercedesse por ele. Porém, o pai fora mais ágil e já o batia com um cinto de couro cru. Não adiantava chorar, os estalos do cinto pareciam se multiplicar a cada grito do menino. Uma cena dantesca se fez e até Dona Vicentina, que tentara impedir o marido de maltratar o filho, acabou sendo atingida pela fúria do marido (este lhe deu um empurrão, o que a fez cair em cima do velho fogão a lenha).
Passada a ira, acocorou-se sobre os calcanhares e cortou o seu costumeiro fumo.
- Menino do diabo! Onde já se viu... Não criei filho homem para ser mocinha não! Vai pescar sim, nem que seja a última coisa que eu faça na vida. Diacho...
Ouvindo isso, o menino viu as vistas escurecerem e tombou entre rodopios mentais.