17.6.25

Ai, palavras!

 Sem nenhum aviso,

elas chegam...

Céleres, 

violentas, 

destruidoras,

maldosas, enfim!

Saem de bocas

que as parece vomitar...

Pronunciadas sem arrependimento,

lançadas na guerra de oprimir,

eivadas para machucar!

Quem as recebe, 

não as esquece...

Amortece-as dentro de si!

Recapitula-as entre as atividades

neurocerebrais (sinapses?)...

Disseminar o mal,

maltratar,

ferir existencialmente:

Ai, palavras! 

Malditas palavras!

14.11.24

Dissimulação,

falsidade...:

MALDADE!


27.6.24

Vila Rica

 


Percorro tuas ruas tortas, 

teus caminhos sinuosos,

tuas muitas subidas 

e tuas muitas descidas também

(tudo é uma questão de ponto de vista!).


Subitamente, paro...

Um canto parece me convocar...

Seriam as litanias de outras épocas?

Seriam os espectros alphonsianos

a evocar Constancinha?

Paro, olho, nada vejo,

nada mais ouço...


Avisto o Itacolomi...

Tão perto...

Tão longe...

Tão soberano!


No Largo do Rosário, 

paro, olho, tudo vejo:

pedras seculares

(milenares, talvez),

a igreja imponente,

a beleza das construções...


No Ateliê Paulo Valadares, 

sou tomado pela contemplação:

o olhar do pintor

parece me mostrar

uma Vila Rica nova, 

ainda mais bonita!


Paro, olho, contemplo,

perco-me nas telas, 

encontro-me no mundo das imagens.



Junho de 2024.

15.1.24

BALADINHA

Voz vibrante, vivaz.

Beijo bacana demais.

Nos seus fios louros,

estão meus tesouros.


Na tez transpareces

a maciez que me emudece.

No abraço dado, apertado, 

faz-me teu refém, aprisionado.


Na partida, teu torto riso

atordoa-me, perco o siso.

Tens o dom de enganar,

Soubeste muito bem me enfeitiçar.


Luciano Byron 02/01/2016

METÁFORA

 Os olhos passeavam ávidos, 

buscavam um ponto de fixação...

Tateou cabelos, viu sedosidade,

aromas o prenderam (adocicados? acres?).

Continuou sua peregrinação...

Lábios observou: uns ressequidos

(partidos, feridos até!), 

outros umedecidos, brilhosos

(tubos transparentes, uma balinha

e alguns mililitros de algo

podem fazer excepcionalidades!).

Contemplou olhos: na reprodução ótica,

perdeu-se... Viu-se no azul,

mergulhou em âmagos,

navegou oceanos castanhos,

fixou-se, enfim, ao ver nos outros,

ao ver nos outros olhos

a reprodução do seu próprio olhar.


Luciano Byron

Maio/2016.

21.11.23

DESCASO

 O olhar do outro

que não me olha, 

que não me nota,

que me ignora, 

que me deixa...

7.7.23

Falta

 Falta alguém ali...


Vejo o sorrriso,

vejo os cabelos brancos,

vejo o corpo concreto.


Falta alguém ali...


Vejo uma cadeira vazia,

vejo uma casa não habitada,

vejo o vazio, a ausência.


Falta alguém ali,

mas haverá sempre alguém aqui,

no pensamento.

28.3.23

ESPELHO

 Quem é este,

parado aqui,

olhando-me sério?


Quem é este?

Olho-o, examino-o,

assusto-me.


Quem é este,

quão cansados os olhos,

quão seca a pele,

quão duros os cabelos,

quão grosseira a fisionomia...


Quem é este?


Quem é este?

Sou este!


Mas eu não era

assim: sério,

parado, 

cansado,

duro

e grosseiro...


Quem sou este?


19.12.22

A PARTIDA

À minha amiga Malu

 Tua infância, desconheço.

Chegaste já grande

para nossa família. 

Teu primeiro dia 

foi de fuga...

Correste tanto, 

mas tanto...

Pensei que jamais

alcançar-te-ia.

Fizeste a festa

logo na chegada.

Conquistaste todos:

Viraste o chamego,

a alegria da casa.

Adoeceste algumas vezes...

Derrubaste vasos,

rasgaste roupas,

latiste bastante...

Quando adoeceste,

ficamos abalados.

Vi a tristeza em teus olhos,

o lamento nos nossos.

Morreste sim,

mas tua lembrança permanece

viva, como brasa, em nós.

Descanse em Paz, minha amiga.

16.12.22

A MORTE

 Ela chegou sem avisar

(como sempre, aliás).

Trouxe dor,

perda,

choro,

medo...


Ela chegou sem avisar,

mas, ainda que avisasse, 

traria dor,

perda,

choro

e medo.

12.12.22

DESCASO

Não olha, 
não sorri mais,
não tem a cumplicidade
(outrora tão presente).

27.7.22

Rio Tocantins

 Água que escorre serena, 

sussuro suave e leve.


Água que lava e limpa os pés.


Água mole.

Pedra dura.

Água mole

por cima da pedra dura.

Água mole e pedra dura:

paisagem incomparável.


Água que parece infinda,

água da minha lembrança, 

água inesquecível.

23.2.22

DOR

 O desdém de alguém

é flecha que fura,

é chaga que amarga,

é pura agrura.



23-02-2022

9.12.21

Unos cuantos piquetitos


 Mulher, estás morta!

Sim! Completamente morta!

Teu corpo exposto,

pintado de um vermelho-vivo,

vermelho-sangue:

Estás toda flagelada

pela ação dele.


Justo ele... 

Ele que te teve.

Ele que recebeu teus beijos,

que te aceitou os afagos, 

que te arrebatou os sonhos...


Justo ele...

Deveria proteger,

deveria salvar,

deveria amar...


Agora, ele sorri:

Viva alma a escarnecer

do teu corpo jogado, ensanguentado.


E tu, ó mulher, exposta a todos, 

mostrada a todos

como se isso fosse banal!


Ó, mulher! 

Tu não serás esquecida!

25.8.21

DESENCANTO

 Gritos.

Irritação.

Desprezo.


...


Raiva.

Decepção.

Falsidade.


...


D

E

S

E

N

C

A

N

T

O!


JULHO/2021



3.3.21

Lamento

 

Esse silêncio sentenciado, 

essa garganta impedida de si:

sentimento amoroso morto.


O vermelho já não é tão rubro,

o hálito se tornou trivial,

a boca dos beijos

é a mesma boca dos lamentos 


As mãos que acariciavam, 

e os braços que abraçavam

hoje sofrem passivos

diante do amor que se foi.


Na lembrança, vivas cenas do passado

são lâminas afiadas, cortantes:

O amor que se foi

é uma eterna dor que ficou.


Luciano Byron

dezembro/2005


11.12.20

Luta crucial

A engenharia de um pássaro:
Ninho incomparável.

A perfeição de um bioma:
Equilíbrio essencial.

A simplicidade de uma criança:
Sentido sincero.

A construção de um poema:
Duelo vocabular.



Luciano Byron
11/12/2020

30.5.20

A rosa rosada

Como ser julgada tão bela
se feres os que te tocam?

Como ter essa cor tão viva
se quem te gerou tem cor trivial?

Como viver à sombra de árvores
se precisas de mais luz e calor do sol?

Como esquecer esta rosa tão bela,
tão viva e tão sensível?


11.5.20

Bandido

Eu fui baleado...
Tentei fugir, escapar...
Mas fui baleado...

Eu sabia que o crime
Não era uma boa saída
Para meus problemas financeiros...

Resolvi assaltar uma loja...

Ia roubar alguns reais...

Cheguei, gritei e peguei o dinheiro,
Mas o dono da loja me olhou,
Me olhou copiosamente,
Parecia querer me dizer algo...

Tive compaixão daquele homem,
Daquele homem trabalhador,
Daquele sobrevivente,
Daquela vítima de meu ato insano...

Foi tudo muito rápido...

Ouvi um tiro, vidraça quebrada,
Cacos nos chão,
Gritos e mais tiros...

Tentei correr,
Mas a bala perfurou
Minha barriga e sangre,
E caí meio tonto.

Tentei correr, mas fui baleado!

Enviaram-me num carro preto,
Daqueles de polícia especializada...

Quis gritar, mas não consegui.
Quis gritar, mas eles não ouviam...

Engasgado-me com sangue,
Vomitei sangue,
Clamei ajuda, mas não me ouviam.

Fui baleado...
Tentei fugi, mas me alegaram...
Estou partindo...

Um policial, tenta me alertar...

As vozes ficam longe...
Longe...       Longe...
L
O
N
G
E...

Eu morri.
Fui baleado e morri.

19.2.20

PENSAMENTO LEVE

Folha seca,
vento sopra
leva a leve
e fina folha.

Dança serena,
chuva molha,
cicia suave
e se esvai
o que era folha.

LUCIANO BYRON