26.6.10

Vida é pedra


A vida dura
endurece o poeta.

O vento morno de outrora
é vento forte,
é temporal
que mata,
que mata,
que mata o poeta.

Não! Não mata.
Não mata realmente,
mas espiritualmente
(o que é muito pior!).

E no tabuleiro da vida,
não há o que fazer:
a luta prossegue,
o jogo prossegue...

A vitória ainda chegará...

18.6.10

Adeus, mestre


Foram muitos os que te criticaram,
foram muitos os que te caluniaram
(pegaram-te para cristo,
mesmo sendo tu tão ateu!).

Em tuas palavras, há denúncias,
há luz, há vivacidade,
há esperança, há tudo, enfim!

O fim, então, que auguravas,
assim se deu: morte serena,
como desejavas,
sem dor, sem badalação.
Morte apenas!

Sim, ó mestre! Far-me-ás falta.

O Mundo também reconhecerá
a falta que faz um grande mestre,
um nato escritor!

Vá em paz, espelho para os homens.
Vá feliz!
(Vá com Deus! - perdoe-me a audácia).

11.6.10

Relembrando um eterno mestre



Na década de 90, estudei na UFOP. Pouco tempo é verdade, mas o suficiente para conhecer o Dr. em Literatura Prof. Leopoldo Comitti, que agora homenageio abaixo:


Não entravas na sala de aula
sem o enorme copo de café
(hábito que logo adquiri,
por influência tua).
A pouca cabeleira,
o semblante sem sorrisos...

Como esquecer a aula
sobre João Cabral de Melo Neto?
Como esquecer "Ruínas Circulares",
quando me apresentaste a Borges?

Já há mais de uma década não o vejo,
ó mestre eterno, e mesmo assim,
não paras de criticar o que escrevo!

10.6.10


FALSA PULSAÇÃO

As palavras se amontoam,
Em cena surrealista.
Vocábulos bons,
Soam pessimamente horríveis.
O poeta sofre,
O entendimento padece!
A vontade de gritar,
De cantar a verdade,
De pensar irracionalmente...
O poeta geme,
A alma desfalece.
O poeta não quer a falsidade
Dessa vida tão preocupada no TER.
O SER do poeta se eleva,
Clama libertação...
SER! SER! SER! SER!
É o coração que pede.
SER! SER! SER!
É a alma que implora.
SER! SER!
É o poeta que insiste no sonho.
SER!
É a razão que isso não permite....!
É o mundo que impera!

6.6.10



Porque Era Ela, Porque Era Eu
Chico Buarque

"Eu não sabia explicar nós dois
Ela mais eu
Porque eu e ela
Não conhecia poemas
Nem muitas palavras belas
Mas ela foi me levando pela mão
Íamos todos os dois
Assim ao léo
Ríamos, choravamos sem razão
Hoje lembrando-me dela
Me vendo nos olhos dela
Sei que o que tinha de ser se deu
Porque era ela
Porque era eu".

ENIGMA


Esta árvore,
o tronco,
as folhas caídas...

O vegetal tem a sina
do poeta.

Folhas secas, mortas não!
Na relva, tudo se renova.
A morte gera vida
e os vermes riem
da desgraça da árvore.


27.5.10



Guimarães Rosa

27 de maio de 2010


Muitas decisões a ser tomadas... O futuro se apresenta como algo agradável. Será? A alma deseja a inovação, a razão anseia pela estabilidade. O que fazer? Como fazer? Não sei!

Espero que meus passos espelhem sapiência sempre! (amém!)

24.5.10

Robin Hood

Não sou crítico de cinema, mas gostaria de indicar o filme "Robin Hood, que aborda o surgimento da lenda do citado "herói". As imagens bem dinâmicas prendem a atenção do leitor e o colocam, como não poderia deixar de ser, ao lado de Robin, o protagonista.
Há de se salientar ainda a brilhante participação e interpretação de "Russell Crowe", no papel de protagonista.

23.5.10



"A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável".
(Rousseau)

Expectativas Alheias

São cobranças, ingênuas, mas o são!
Se fracassar é condição humana,
por que, então, buscar o êxito?
Se o tudo se equivale ao nada,
para que a procura por melhorias?

São cobranças... São SOMENTE isso...?!

São cobranças: partem de mim,
do outro, do poeta, da família...

São cobranças... Existem...

Cobranças: toneladas de responsabilidade,
carga que se carrega, mesmo sem querer.

21.5.10


Preciso, para (Marina Colasanti)

Preciso que um barco atravesse o mar
lá longe
para sair dessa cadeira
para esquecer esse computador
e ter olhos de sal
boca de peixe
e o vento frio batendo nas escamas.
Preciso que uma proa atravesse a carne
cá dentro
para andar sobre as águas
deitar nas ilhas e
olhar de longe esse prédio
essa sala
essa mulher sentada diante do computador
que bebe a branca luz eletrônica
e pensa no mar.

Sorriso (pródigo?)

O sorriso se foi...
Não há razões para sorrir,
não há motivação...

O sorriso se foi...

"Podem rir de mim, então",
diz o poeta.
"Se a graça se forja na desgraça,
que gargalhem às minhas custas".

Sorriso, por que não voltas logo?

20.5.10




"Em vez de as pessoas ouvirem os escritores em busca de respostas sobre o que somos, precisam ouvir umas às outras, porque nós, autores, não somos mais do que meros trabalhadores das palavras e temos limites como todos".
José Saramago

20/05/2010 (23:47h)


Para muitos, o dia já terminou... Para mim, ele não termina, apenas dá uma pausa para dar prosseguimento à trajetória humana.

Não acredito em novos amanheceres, pois eles apenas repetem velhas histórias de fracassos e de desencantos.

Não acredito em "sorte melhor" pois toda sorte é apenas uma negação da capacidade de conquistar por seus próprios méritos.

Não acredito no descanso, porque ele é quem torna este Brasil tão medíocre.

Ainda assim, tenho boas expectativas para o porvir... Veremos o que acontece.

18.5.10


A BICICLETA


Mal havia voltado do Ceará para Goiás e logo fui surpreendido pela notícia de que trabalharia como contínuo em uma empresa de xerografia. O emprego não era dos mais agradáveis e prazerosos. Mas numa época em que o pouco dinheiro era uma grande fortuna (para quem nada tinha!), comecei a pedalar a um salário mínimo ao mês. Aliás, raramente eu chegava a receber tal quantia integralmente. Nem bem acabara o mês e eu já pedia parte do pagamento, no que chamávamos de "vale".

Época difícil...

A bicicleta enfrentava intempéries climáticas e me fazia, cada vez mais, apegar-me a ela. Não, ela não tinha vida. Para mim, no entanto, era como se fosse parte do meu cotidiano. Dela, eu tirava o meu sustento; nela eu concatenava sonhos; nela eu aprendi a valorizar ainda mais a vida.


COTIDIANO

Mesmo cansado, o poeta segue:
há uma vida a construir,
a novos discípulos a instruir!

Mesmo cansado, o poeta agita:
corre para cá, ensina aqui;
foge para acolá, não descansa ali!

O poeta é o dono de sua alma,
mas refém de seu corpo.

18 de maio de 2010 (18:24h)


O dia transcorre sem dificuldades.

Após 10 aulas em pé, sinto-me cansado. No entanto, daqui a pouco terei minhas forças revigoradas (terei mais aulas!) - mesmo que isso pareça um paradoxo!

Esta semana será mesmo recheada de tarefas. Busco forças para superar as dificuldades!

17.5.10


A POESIA


Palavra arrancada da inanimação:

do dicionário brotam as sementes

para a compreensão da vida.


O poeta escolhe, retira, pensa...

Repensa, troca, caduca.

Pronto: a palavra se fez.


O verbo feito, o verso refeito,

a vida que transcorre sem novidades.


Essa vida...

Quanto dela não é poesia!

17 de maio de 2010


Hoje recebi a apreciação de Lívia sobre meus textos. Alegria e confiança: revigorado estou! Ainda bem que a vida é repleta de pessoas maravilhosamente legais!

O cansaço me incomoda, mas eu não desanimo. Cada dia que nasce é uma força que se renova.

Bola pra frente...