15.7.10

Conjecturas






Ela não sabe,
mas fui seduzido!
Perdi a razão,
olhei em seus vãos
e vi a vida rejuvenescida.

Ela não sabe,
mas me satisfaz
o mero vislumbre
de um tenro corpo
em que exalam hormônios.

Mesmo sem saber
(quem não sabe: ela ou eu?),
o gosto dela está em mim,
corroendo-me, ludibriando-me
na ânsia do querer para ter.

Ela não sabe
que eu sei que ela sabe
que o corpo dourado me apraz!

Mãos acariciam, olhos despem...
Leda imaginação!



Luciano Byron
10/09/1999

Passado Ouropretano




Cismando, o poeta se esvai...
Há um quarto,
vários poemas na parede,
várias lembranças,
vários enredos sem final
(alguns até sem clímax).
Há, saindo dali, uma rua estreita,
há neblina, há umidade:
vida obtusa, caminho incerto.

Num átimo, mulher decomposta,
meretriz espectral:
a musa da gênese poética.

- "Será ela? É verdade? É ilusão?".

A dama se vai,
levada pela cerração.

O dia, a luz, o sol!

Não há vida para o poeta,
não há esperança.

Que volte a dificuldade de enxergar!

Luciano Byron.

Sina




Esse desejo estrangeiro,
essa dor augurada:
o poeta se refaz
a cada frustração!

Sua vida é o canto,
é a ferida purejante,
é o espelho de pandora,
é o inferno de Dante!

Na dança fúnebre,
renegada por todos,
o poeta rodopia,
roda, roda, roda,
escrevendo enredo repetidos.

Luciano Byron

Entrega Letal

(quadro de Salvador Dali)


Subitamente, algo trouxe a vida,
regenerando os tecidos mortos.
Saem: as escaras,
a carne putrefata,
o mórbido olhar,
a ausência de vaidade.

Ressurreto...
Há vida novamente.

O corpo é preparado
para ser objeto de outrem.

Sacrifício? Não há!

O poeta se entrega
a quem o ama cruelmente...

E nesse reviver tão suicida,
terá o poeta razões para cantar.

Luciano Byron
13/11/2009

12.7.10

OS POEMAS (MÁRIO QUINTANA)


Os poemas são pássaros que chegam

não se sabe de onde

e pousamno livro que lês.

Quando fechas o livro,

eles alçam vôocomo de um alçapão.

Eles não têm pouso

nem porto

alimentam-se um instante em cada par de mãos

e partem.

E olhas, então, essas tuas mãos vazias,

no maravilhoso espanto de saberes

que o alimento deles já estava em ti...

9.7.10

Revisitação


Este olhar imaginário
ganha vida,
ganha desejo,
ganha imensa saudade.

Outrora ali, rindo...
Sabias como encantar!

Diferentes, é claro.
Mas não é nas diferenças
que reside a melhor das comunhões?

O tempo não trouxe o esquecimento...

Teu sorriso vivo, imaculado,
quase petrificado,
é a prova de que tu persistirás aqui
(bem dentro de mim!).

Lamentos


Não há inocentes...
Constatação fúnebre.

O poeta lamenta,
o homem incompreende,
mas a realidade é dura mesmo...


Sobreviver é o ideal
num mundo onde o muito ter
supera o preciso ser!

6.7.10

Canção de amor


Gosto de ficar te olhando,
de sussurrar em teu ouvido
a palavra mais doce
e viva para o momento.

Sei que ninguém nisso acreditava,
que jamais nos deram crédito,
que logo, logo distantes ficaríamos.

O que vão dizer agora?
O que vão dizer agora?

Como vão crer no que incredularam?
Como vão crer no que incredularam?

Chorem por nosso riso, então.
Chorem por nosso riso,
que não é falso não!

5.7.10

Aconteceu (Arnaldo Antunes e Marisa Monte)



"Aconteceu
O que aconteceu
Foi melhor assim
Estava por um fio
Estava por um triz
Estava já no fim
Todo mundo via
Que acontecia
Pois aconteceu
Era o que devia
Quando um descaminho
Acha o seu desvio
Tudo se alivia
Foi melhor assim
Quando dei por mim
Já estava aqui e agora".

26.6.10

Vida é pedra


A vida dura
endurece o poeta.

O vento morno de outrora
é vento forte,
é temporal
que mata,
que mata,
que mata o poeta.

Não! Não mata.
Não mata realmente,
mas espiritualmente
(o que é muito pior!).

E no tabuleiro da vida,
não há o que fazer:
a luta prossegue,
o jogo prossegue...

A vitória ainda chegará...

18.6.10

Adeus, mestre


Foram muitos os que te criticaram,
foram muitos os que te caluniaram
(pegaram-te para cristo,
mesmo sendo tu tão ateu!).

Em tuas palavras, há denúncias,
há luz, há vivacidade,
há esperança, há tudo, enfim!

O fim, então, que auguravas,
assim se deu: morte serena,
como desejavas,
sem dor, sem badalação.
Morte apenas!

Sim, ó mestre! Far-me-ás falta.

O Mundo também reconhecerá
a falta que faz um grande mestre,
um nato escritor!

Vá em paz, espelho para os homens.
Vá feliz!
(Vá com Deus! - perdoe-me a audácia).

11.6.10

Relembrando um eterno mestre



Na década de 90, estudei na UFOP. Pouco tempo é verdade, mas o suficiente para conhecer o Dr. em Literatura Prof. Leopoldo Comitti, que agora homenageio abaixo:


Não entravas na sala de aula
sem o enorme copo de café
(hábito que logo adquiri,
por influência tua).
A pouca cabeleira,
o semblante sem sorrisos...

Como esquecer a aula
sobre João Cabral de Melo Neto?
Como esquecer "Ruínas Circulares",
quando me apresentaste a Borges?

Já há mais de uma década não o vejo,
ó mestre eterno, e mesmo assim,
não paras de criticar o que escrevo!

10.6.10


FALSA PULSAÇÃO

As palavras se amontoam,
Em cena surrealista.
Vocábulos bons,
Soam pessimamente horríveis.
O poeta sofre,
O entendimento padece!
A vontade de gritar,
De cantar a verdade,
De pensar irracionalmente...
O poeta geme,
A alma desfalece.
O poeta não quer a falsidade
Dessa vida tão preocupada no TER.
O SER do poeta se eleva,
Clama libertação...
SER! SER! SER! SER!
É o coração que pede.
SER! SER! SER!
É a alma que implora.
SER! SER!
É o poeta que insiste no sonho.
SER!
É a razão que isso não permite....!
É o mundo que impera!

6.6.10



Porque Era Ela, Porque Era Eu
Chico Buarque

"Eu não sabia explicar nós dois
Ela mais eu
Porque eu e ela
Não conhecia poemas
Nem muitas palavras belas
Mas ela foi me levando pela mão
Íamos todos os dois
Assim ao léo
Ríamos, choravamos sem razão
Hoje lembrando-me dela
Me vendo nos olhos dela
Sei que o que tinha de ser se deu
Porque era ela
Porque era eu".

ENIGMA


Esta árvore,
o tronco,
as folhas caídas...

O vegetal tem a sina
do poeta.

Folhas secas, mortas não!
Na relva, tudo se renova.
A morte gera vida
e os vermes riem
da desgraça da árvore.


27.5.10



Guimarães Rosa

27 de maio de 2010


Muitas decisões a ser tomadas... O futuro se apresenta como algo agradável. Será? A alma deseja a inovação, a razão anseia pela estabilidade. O que fazer? Como fazer? Não sei!

Espero que meus passos espelhem sapiência sempre! (amém!)

24.5.10

Robin Hood

Não sou crítico de cinema, mas gostaria de indicar o filme "Robin Hood, que aborda o surgimento da lenda do citado "herói". As imagens bem dinâmicas prendem a atenção do leitor e o colocam, como não poderia deixar de ser, ao lado de Robin, o protagonista.
Há de se salientar ainda a brilhante participação e interpretação de "Russell Crowe", no papel de protagonista.

23.5.10



"A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável".
(Rousseau)

Expectativas Alheias

São cobranças, ingênuas, mas o são!
Se fracassar é condição humana,
por que, então, buscar o êxito?
Se o tudo se equivale ao nada,
para que a procura por melhorias?

São cobranças... São SOMENTE isso...?!

São cobranças: partem de mim,
do outro, do poeta, da família...

São cobranças... Existem...

Cobranças: toneladas de responsabilidade,
carga que se carrega, mesmo sem querer.