O corpo belo
(adequado).
O nome trivial
(aceitável, apenas).
No sorriso, oculta,
oculta a clareza
que a faz sublime.
Se do pensamento
a tua imagem me foge,
recorro às palavras.
Aí te mostras dócil:
meneias o manjar divino.
Na pronúncia do teu nome,
perco-me em melodias:
som sereno se associa ao ser
(és eterna em tua efemeridade).
Sem saber, parodio enredos:
o amor que nos aproxima
é o mesmo que nos afasta.
Afastamo-nos da vida real!
04-06-2014
3.1.15
14.9.14
11.7.14
PESO
Ser contado entre os que vencem:
pesada carga a carregar
(acúmulo de expectativas
depositadas/impostas)
rumo a lugar algum.
25/11/2013
pesada carga a carregar
(acúmulo de expectativas
depositadas/impostas)
rumo a lugar algum.
25/11/2013
3.7.14
Constatações
O acúmulo de lembranças confunde:
Há momentos,
mas corpo não há mais;
há essa dor,
mas a ferida já não incomoda...
O acúmulo de lembranças é a pedra,
a pedra que mostra o nosso grau de humanidade.
Há momentos,
mas corpo não há mais;
há essa dor,
mas a ferida já não incomoda...
O acúmulo de lembranças é a pedra,
a pedra que mostra o nosso grau de humanidade.
27.12.13
Palavras
As palavras eram só palavras,
mas deram-lhes vida,
deram-lhes significado real,
conjecturaram, inferiram,
divulgaram, alardearam,
explicitaram o que nem
no implícito estava!
Malditas palavras!
Saíram do dedo
e mesmo assim se encorparam,
criaram o que não criei,
construíram o que não projetei.
Geraram esta inquietação,
levantaram um muro
afastando quem estava próximo
(de fato).
São malditas as palavras,
mas não hei de deixá-las!
02/06/2011
mas deram-lhes vida,
deram-lhes significado real,
conjecturaram, inferiram,
divulgaram, alardearam,
explicitaram o que nem
no implícito estava!
Malditas palavras!
Saíram do dedo
e mesmo assim se encorparam,
criaram o que não criei,
construíram o que não projetei.
Geraram esta inquietação,
levantaram um muro
afastando quem estava próximo
(de fato).
São malditas as palavras,
mas não hei de deixá-las!
02/06/2011
26.12.13
Ano Novo
Esperar mais um ano chegar
é como esperar uma vitrine de estranhezas.
Pensa-se num novo emprego
(que talvez nunca se consiga),
pensa-se numa nova namorada
(que talvez nem seja tão nova assim),
pensa-se em uma nova vida
(tão velha de antigos desejos).
Esperar mais um ano chegar
é uma forma de fugir do hoje
sem deixar que o futuro
traga de fato apenas novidades.
é como esperar uma vitrine de estranhezas.
Pensa-se num novo emprego
(que talvez nunca se consiga),
pensa-se numa nova namorada
(que talvez nem seja tão nova assim),
pensa-se em uma nova vida
(tão velha de antigos desejos).
Esperar mais um ano chegar
é uma forma de fugir do hoje
sem deixar que o futuro
traga de fato apenas novidades.
14.12.13
O canário
Canta canário, não para de cantar.
Com teu canto, em cada canto,
encanta quem na vida
aprendeu a amar.
Com teu canto, em cada canto,
encanta quem na vida
aprendeu a amar.
10.11.13
Reféns
Vivemos o tempo dos homens sem tempo,
o tempo dos desiludidos em massa,
o tempo da procura pelo nada,
o tempo em que querem chegar
sem ao menos terem saído!
Vivemos o tempo das células-tronco,
o tempo do progresso e do retrocesso,
o tempo da paz que é gerada pela guerra,
o tempo em que ter vale mais que ser,
pois mais vale a "cédula-tronco".
Vivemos o tempo
(ou ele nos vive?)
em que nada mais podemos fazer.
O tempo do futuro sem presente.
O tempo dos que têm sede de si mesmos!
Vivemos o tempo do tempo
(não o nosso).
o tempo dos desiludidos em massa,
o tempo da procura pelo nada,
o tempo em que querem chegar
sem ao menos terem saído!
Vivemos o tempo das células-tronco,
o tempo do progresso e do retrocesso,
o tempo da paz que é gerada pela guerra,
o tempo em que ter vale mais que ser,
pois mais vale a "cédula-tronco".
Vivemos o tempo
(ou ele nos vive?)
em que nada mais podemos fazer.
O tempo do futuro sem presente.
O tempo dos que têm sede de si mesmos!
Vivemos o tempo do tempo
(não o nosso).
13.10.13
18.7.13
Professor em férias
Há uma praia, às margens do Rio Tocantins.
Ali, em meio aos hedonistas,
refugio-me para descansar.
Meio estranho, meio deslocado,
ouço uma música de fraca letra
(uma tal de "Vai no cavalinho...").
Tento fugir, tento correr,
mas estou em férias.
Tento me distrair,
tento me divertir,
mas percebo que um professor em férias
é sempre um professor (crítico e cético).
9.7.13
Musa Fujona
Era um lugar público.
Havia pessoas em seus afazeres carnais,
hedonistas até!
Olhei meio duvidoso...
Olhei por um lado, mergulhei...
Olhei mais de perto, mergulhei...
Fui, voltei....
Não havia dúvida: vi Gabriel Nascentes
(pensei num átimo).
Aproximei-me, conversamos,
ele discorreu sobre a sua obra
e estava com uma filósofa.
Conversamos, trocamos e-mails,
fui-me dali.
Ao sair, ainda o ouvi gritando
(para a moça que estava ao seu lado):
- Não se vá, Musa Fujona!
Havia pessoas em seus afazeres carnais,
hedonistas até!
Olhei meio duvidoso...
Olhei por um lado, mergulhei...
Olhei mais de perto, mergulhei...
Fui, voltei....
Não havia dúvida: vi Gabriel Nascentes
(pensei num átimo).
Aproximei-me, conversamos,
ele discorreu sobre a sua obra
e estava com uma filósofa.
Conversamos, trocamos e-mails,
fui-me dali.
Ao sair, ainda o ouvi gritando
(para a moça que estava ao seu lado):
- Não se vá, Musa Fujona!
31.5.13
Aliterações *
Breve boom,
bate-boca,
boa brisa:
sons suaves e sinceros.
Bate porta,cai café,
roda rangendo:
tortos tons tecidos.
Gordo grito,
pretos pios,
voz vincada:
sonora sina soada.
25/04/2013
* Título alterado após uma sugestão de um leitor.
bate-boca,
boa brisa:
sons suaves e sinceros.
Bate porta,cai café,
roda rangendo:
tortos tons tecidos.
Gordo grito,
pretos pios,
voz vincada:
sonora sina soada.
25/04/2013
* Título alterado após uma sugestão de um leitor.
A pena
A pena a planar perene...
Na suavidade de seus passivos movimentos,
ela é conduzida para cá,
para lá, para aqui,
para acolá e ali.
Sua rota sem rumo
experimenta a liberdade.
Tensão...
Gota cai ali, cai acolá,
cai ali, acolá
e aqui.
Pequenos pingos:
pena pesada.
O chão e o esquecimento
e a letargia...
30.5.13
Contemplação
tela Soltando Balão (Aírton das Neves)
É noite.
A igrejinha ao fundo pode ser a prova:
há festa de São João,
há um festejo religioso.
Crianças, ao centro,
brincam com um balão
(tão proibido hoje).
Um homem chega a cavalo,
outro homem chega a pé (com familiares -
três filhos e a esposa, talvez).
A paisagem parece serena;
a vila, aconchegante.
Sinto paz!
25.5.13
A importância da moela
Não raro, lembro-me do tempo em que ainda cursava Letras. Tempos difíceis, mas nem por isso menos saudosos...
Ainda agorinha, recordei-me dos almoços em que degustava moelas de frango. Tarefa árdua era cozinhá-las!Eu, na minha singela escassez monetária, não tinha nem uma (ou nenhuma mesmo) panela de pressão. Haja cozimento para tão dura peça da anatomia "franguiana". Aquele cheirinho de caldo de frango, que usava para imaginar o sabor de toda a citada ave, dá-me até hoje uma salivação extrema.
Aliás, não entendo porque as pessoas preferem outras partes do frango à suculenta moela.
Viva a moela que a tantos universitários alimenta!
Santa moela!
Ainda agorinha, recordei-me dos almoços em que degustava moelas de frango. Tarefa árdua era cozinhá-las!Eu, na minha singela escassez monetária, não tinha nem uma (ou nenhuma mesmo) panela de pressão. Haja cozimento para tão dura peça da anatomia "franguiana". Aquele cheirinho de caldo de frango, que usava para imaginar o sabor de toda a citada ave, dá-me até hoje uma salivação extrema.
Aliás, não entendo porque as pessoas preferem outras partes do frango à suculenta moela.
Viva a moela que a tantos universitários alimenta!
Santa moela!
28.4.13
A linguística das sensações

As palavras exalaram um cheiro estranho:
odores fétidos a consumarem o mal.
Há pouco, o perfume criava
lindas e belas imagens.
Agora, o olfato se inquieta
com a lembrança do aroma.
As palavras, mais uma vez,
destruíram os períodos compostos:
volta-se, então, aos períodos simples,
às frases absolutas.
23.4.13
Estranhamento
29.3.13
Surpresa
.jpg)
As palavras aparecem,
tomam forma,
viram frases, períodos,
parágrafos até.
Há um poema,
há algumas palavras trocadas,
há o início da comunicação.
Pouco sabem um do outro,
mas iniciam a belíssima
tarefa de conviver.
Há empatia entre eles:
gostam de ler,
gostam de escrever,
gostam de conversar.
Há empatia entre eles.
São parecidos,
são co-irmãos,
são almas gêmeas.
Gêmeos nas letras,
gêmeos no agir.
Violência
"Ela estava brincando com a criança",
disse o taxista.
Brincando de matar,
de maltratar,
de enganar um ser tão pequenininho...
"Eu o asfixiei com a toalha",
friamente disse a assassina.
Mais uma criança morta,
cruelmente assassinada,
mais um futuro interrompido
pelos desvios de uma mente,
uma mente criminosa.
Uma falsa mulher
(não acredito que seja mulher
quem tira a vida de uma criança).
Em um quimono azul,
a criança sorria.
Quanta ingenuidade,
quanta pureza,
quanta paz em seu olhar.
Agora, repousarás no céu,
livre desta leviana vida
onde o ter sempre vale mais,
onde o ser quase inexiste.
Vá em paz, criança de Deus.

disse o taxista.
Brincando de matar,
de maltratar,
de enganar um ser tão pequenininho...
"Eu o asfixiei com a toalha",
friamente disse a assassina.
Mais uma criança morta,
cruelmente assassinada,
mais um futuro interrompido
pelos desvios de uma mente,
uma mente criminosa.
Uma falsa mulher
(não acredito que seja mulher
quem tira a vida de uma criança).
Em um quimono azul,
a criança sorria.
Quanta ingenuidade,
quanta pureza,
quanta paz em seu olhar.
Agora, repousarás no céu,
livre desta leviana vida
onde o ter sempre vale mais,
onde o ser quase inexiste.
Vá em paz, criança de Deus.

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