27.7.22

Rio Tocantins

 Água que escorre serena, 

sussuro suave e leve.


Água que lava e limpa os pés.


Água mole.

Pedra dura.

Água mole

por cima da pedra dura.

Água mole e pedra dura:

paisagem incomparável.


Água que parece infinda,

água da minha lembrança, 

água inesquecível.

23.2.22

DOR

 O desdém de alguém

é flecha que fura,

é chaga que amarga,

é pura agrura.



23-02-2022

9.12.21

Unos cuantos piquetitos


 Mulher, estás morta!

Sim! Completamente morta!

Teu corpo exposto,

pintado de um vermelho-vivo,

vermelho-sangue:

Estás toda flagelada

pela ação dele.


Justo ele... 

Ele que te teve.

Ele que recebeu teus beijos,

que te aceitou os afagos, 

que te arrebatou os sonhos...


Justo ele...

Deveria proteger,

deveria salvar,

deveria amar...


Agora, ele sorri:

Viva alma a escarnecer

do teu corpo jogado, ensanguentado.


E tu, ó mulher, exposta a todos, 

mostrada a todos

como se isso fosse banal!


Ó, mulher! 

Tu não serás esquecida!

25.8.21

DESENCANTO

 Gritos.

Irritação.

Desprezo.


...


Raiva.

Decepção.

Falsidade.


...


D

E

S

E

N

C

A

N

T

O!


JULHO/2021



3.3.21

Lamento

 

Esse silêncio sentenciado, 

essa garganta impedida de si:

sentimento amoroso morto.


O vermelho já não é tão rubro,

o hálito se tornou trivial,

a boca dos beijos

é a mesma boca dos lamentos 


As mãos que acariciavam, 

e os braços que abraçavam

hoje sofrem passivos

diante do amor que se foi.


Na lembrança, vivas cenas do passado

são lâminas afiadas, cortantes:

O amor que se foi

é uma eterna dor que ficou.


Luciano Byron

dezembro/2005


11.12.20

Luta crucial

A engenharia de um pássaro:
Ninho incomparável.

A perfeição de um bioma:
Equilíbrio essencial.

A simplicidade de uma criança:
Sentido sincero.

A construção de um poema:
Duelo vocabular.



Luciano Byron
11/12/2020

30.5.20

A rosa rosada

Como ser julgada tão bela
se feres os que te tocam?

Como ter essa cor tão viva
se quem te gerou tem cor trivial?

Como viver à sombra de árvores
se precisas de mais luz e calor do sol?

Como esquecer esta rosa tão bela,
tão viva e tão sensível?


11.5.20

Bandido

Eu fui baleado...
Tentei fugir, escapar...
Mas fui baleado...

Eu sabia que o crime
Não era uma boa saída
Para meus problemas financeiros...

Resolvi assaltar uma loja...

Ia roubar alguns reais...

Cheguei, gritei e peguei o dinheiro,
Mas o dono da loja me olhou,
Me olhou copiosamente,
Parecia querer me dizer algo...

Tive compaixão daquele homem,
Daquele homem trabalhador,
Daquele sobrevivente,
Daquela vítima de meu ato insano...

Foi tudo muito rápido...

Ouvi um tiro, vidraça quebrada,
Cacos nos chão,
Gritos e mais tiros...

Tentei correr,
Mas a bala perfurou
Minha barriga e sangre,
E caí meio tonto.

Tentei correr, mas fui baleado!

Enviaram-me num carro preto,
Daqueles de polícia especializada...

Quis gritar, mas não consegui.
Quis gritar, mas eles não ouviam...

Engasgado-me com sangue,
Vomitei sangue,
Clamei ajuda, mas não me ouviam.

Fui baleado...
Tentei fugi, mas me alegaram...
Estou partindo...

Um policial, tenta me alertar...

As vozes ficam longe...
Longe...       Longe...
L
O
N
G
E...

Eu morri.
Fui baleado e morri.

19.2.20

PENSAMENTO LEVE

Folha seca,
vento sopra
leva a leve
e fina folha.

Dança serena,
chuva molha,
cicia suave
e se esvai
o que era folha.

LUCIANO BYRON

16.12.19

O CANÁRIO


Voa, voa canarinho,
canta aqui e canta lá.
Seu canto bem bonitinho
há de tudo alegrar.

Canta baixo, canta alto:
o importante é cantar!
Ilumina nosso dia,
resgata o nosso sonhar.

Canta mesmo, canarinho,
teu encanto há de nos mudar:
sua forma de levar a vida,
pode nos sensibilizar.

Canta mesmo, pequenina ave,
transforma rancor em franco amor.
Canta aqui e canta lá,
sem ter nenhum temor.

E nesse canto tão alegre,
hei de inspirar o meu viver.
Vou sorrir e vou cantar
sem nenhum medo de sofrer.

Luciano Byron.
Outubro de 2010

10.7.19

Reverberação

À sombra do que sou,
ecoam vozes do que fui
(Alegre? Amargurado?
Amado? Solitário?
Indeciso? Inseguro?).

16/03/2016

27.6.19

Cobranças

Tento esquecê-las, mas elas estão aqui:
são dura dor a incomodar o pensamento,
são claro adubo para a ansiedade,
são fantasmas a me aterrorizarem.

10.1.19

"A recordação da felicidade já não é felicidade. A recordação da dor ainda é dor".

Lord Byron

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Eu mesmo

Nada do que me disserem,
nada do que me propuserem
fará eu deixar de ser quem eu sou!

Um me olha de lado,
outro me desdenha face a face,
outro me entristece,
outro e mais outro me desagradam.

Sou sensível sim,
o que os outros têm com isso?
Em que  medida me torno um fardo
ao outro que nem me conhece direito?


Nada do me disserem,
nada do que me propuserem
fará eu deixar de ser que eu sou!
Mas a fala dos outros me fere
como lâmina duplamente cortante.

04/2012


A realidade nem sempre é
como os olhos veem.
À contemplação, segue-se
a inquietante interpretação.
O que se vê, subjetivado,
lateja como ferida purejante:
criam-se fatos nos indícios,
materializam-se conclusões efêmeras.
Nessa dor criada, ruminada,
o ser se enerva, perde a razão:
o que os olhos viram
não condiz
com o que as interpretações construíram.

11/2017

POEMA DE AULA

O babaçu passou na máquina
repetidas vezes,
reiteradas vezes,
cansativas vezes
até vencer o homem-máquina.

26/03/2011

A VIDA

O medo da morte.

SOM

Sou o som suave,
acalmando a alma.

Sou o som sereno,
aquietando o espírito.

Sou o som soturno
sentenciando sonoridade,
sinalizando novo ser.
São negros, estão sujos,
estão pobres, estão esquecidos:
irmãos bastardos, filhos renegados.

São negros, socialmente repudiados.

São negros, são pessoas:
aprendem desde cedo
a enfrentar dificuldade.

São negros, a sujeira burguesa
fê-los marginalizados, momentaneamente.

São negros, são puros,
são crias primas,
são o sumo do ser.

24/09/2011

26.12.18

BALADINHA

Voz vibrante, vivaz.
Beijo bacana demais.
Nos teus fios louros
estão meus tesouros.

Na tez transpareces
a maciez que me emudece.
No abraço dado, apertado,
faz-me teu refém, aprisionado.

Na partida, teu torto riso
atordoa-me, perco o siso.
Tens o dom de enganar.
Soubeste muito bem me enfeitiçar.

Luciano Byron
(02/01/2016)