11.12.10

Incursões linguísticas


Tento entender...

Tento. Entende?
Tento ente,
Tento etno,
Tento...

Tento...

Destinatário específico


Quem entende
as entrelinhas...
Ela: só ela
(gêmeos às avessas).

3.12.10

Citando Cartier


Os corpos se confundem,
fundem-se na imagem.
São dois, são um...

Há ausência de cores,
mas os arranjos florais,
grafados no lençol,
dão um tom romântico
ao enlace carnal.

O anonimato instiga
e o observador imagina
o que os olhos não veem.

Há desejo, mas sem excessos.
Há volúpia, necessária
(dada a ocasião).

Os corpos em sua dança
encantam a quem os vê.

19.11.10

ESCURIDÃO


No tropel de incertezas,em disparada,
o rancor, a dor, o sofrimento.

O açougue humano se abre:
carnes e moscas se fundem
na putrefação cromática.

Não há sangue, líquido rubro.
Há coágulos de um vermelho-negro,
êmbolos que se multiplicam.
Incontáveis, as bolas pretas coadunadas
povoam o poeta.

18.11.10

Morte


Não conheço a Morte,
mas ela está em mim,
está no meu trajeto,
está no meu peito,
está em meu pai,
esteve em meu avô.

Não conheço a Morte,
mas ela se aproxima
e me mostra a ampulheta,
ampulheta que me diz:
- "Chegará a tua hora!".

Não conheço a Morte,
mas ela me espreita,
delimita meus passos
e me espera ansiosa
(ainda que eu não queira
conhecê-la!).

13.11.10

(Des) Construção


O abraço que não tive,
o afeto que me faltou,
fizeram-me assim...

A dor que me assolou,
a maldição que me persegue,
deixaram-me assim...

O beijo que não ganhei,
o afago que não senti,
Transformaram-me assim...

O sorriso que não vi,
o bilhete que não recebi,
foram essenciais para que hoje
eu fosse, assim, tão sentimental!

10.11.10

(Des) Viver


O sol marca a pele,
pintas pretas
(parasitas do ocaso).

Na face, faz-se o tempo,
a deplorável cicatriz,
a carcaça humana.

O riso em lágrimas,
o choro em ampulhetas:
Negra imagem se aproxima.

Não mais foge, não mais!

No menos perpetua lembranças,
revira memórias e se atém,
atém-se à teia que o devora.

(Re) Descoberta


O fardo é a gênese poética:
No pescoço, a dor incomoda;
na mente, as lembranças badalam...

Vasculho mentiras,
analiso enunciados,
revisito momentos.

O beijo não existe.
Abraço fogoso?
Não o há!

Desnorteio-me, embalde...

Minha sina torta:
prenúncio de desilusão.

14/09/2010

9.11.10

Ruínas Circulares


A cena cinza, insensata.
Um homem desce o rio,
rema, repensa, retoma
a memória que (des)conhece.

O lugar a que vai,
é velho, é estranho,
é o Templo do Fogo,
é a casa da sabedoria.

"É preciso sonhar", dizia.

Deitado, esvaía-se,
abstraía-se: sonhava.
Virava, então, deus do homem:
gênese antropocêntrica.

Frustração, porém, logo se fez:
fora também produto
do sonho de outro deus-homem.

2.11.10

Mundos Paralelos


A casa é a mesma,
é o mesmo alpendre,
é a mesma cor amarelada das paredes,
é a mesma jabuticabeira,
é o mesmo curral
(ainda que abandonado).

No pensamento,
o ontem e o hoje se entrelaçam,
viram imagem duplicada.

Entre a casa de ontem
e a casa de hoje,
encontra-se o poeta.

Nesse nem lá, nem cá,
sofre, chora, rememora.

O poeta não quer o presente,
mas também não quer o pretérito.

Como fazer os dois mundos coexistirem?
Como ligar o não ao sim,
o abstrato ao concreto?

Não há respostas.
Há dois mundos que não se misturam,
que se fundem
(surrealmente).

Ler é preciso!


Há algum tempo, tenho-me indagado sobre o real valor da leitura dos clássicos (principalmente para alunos egressos do ensino médio). A resposta é simples: sem a leitura dos "mestres literários" não se chega à compreensão dos mecanismos complexos do idioma. Ler, então, Machado de Assis se torna essencial e imprescindível! Conhecer textos de Drummond, é uma das obrigações iniciais do indivíduo. A partir daí, o aluno conseguirá perceber como diferentes autores moldam e usam o idioma dentro de seus textos.

Agindo assim, ou seja, lendo os clássicos, o discente perceberá como funciona a tal "licença poética", tão bem quista por eles (que não raras vezes perguntam-me onde a podem tirar!). Há diferença entre "erro" e "licença poética". Afinal, quando Chico usa a linguagem coloquial em alguns de seus textos está aderindo à possibilidade de reprodução da língua oral (e musicalizada, no caso). Logo, escrever bem não implica necessariamente escrever CORRETAMENTE.

Assim, vai aqui um recado: quem quiser andar "por mares nunca dantes navegados", precisa ler muito e estar a par dos ditames do idioma.

NOTÍCIAS


A mensagem chega,
intentos se confirmam:
caiu o Muro de Berlim!

Rompem-se os limites,
fixam-se leves toques,
conjecturam-se possiblidades...

Resta, no entanto, o temor:
o temor de ter tanto
sem nada ter,
o temor de perder o concreto
na ânsia do abstrato.

29.10.10

Psicografia Barata


Essa dor, essa desgraçada má sorte
é o que herdei, que muitos herdaram
e que leva o poeta ao fundo,
ao fundo de si, ao isolamento de todos.

Pensamento


Pensamento: liberdade do poeta,
pombas em bando,
dos rios, as águas transbordando...

Esse chamar, esse amar,
esse mar, este ar,
este "r" (do infinitivo?!)...

Pensamento: plurimundo,
futuro passado,
presente enjoado.

10.10.10

Sensações


Palavras não vieram,
sons não foram emitidos...

A memória verde irriga
a esperança da volta.

Faltam beijos,
abraços já não os há!

Resta, então,
esperar ou (des) esperar...

1.9.10

Rara flor


Este sorriso...

O encantamento,
a inocência.

O corpo de mulher
confunde-se
com o rosto de menina.

Este sorriso dual:
luz e trevas
a quem outra sina
não conhece.

Este sorriso,
lótus rara,
menina Ceta.

20.8.10

INDECISÃO


Indecisão...
A dor humana reside na
I-N-D-E-C-I-S-Ã-O!

O pensamento insiste
em ver os dois caminhos.

O de cá é farto,
é de bons frutos,
é de boa safra.

O de lá é escasso,
falta celulose,
falta motivação.

O que fazer?
Se na vida há tantos nãos
porque não escolher um
e abdicar do outro?

Indecisão...
És minha suprema companheira
nesta dura missão de:
D-E-C-I-D-I-R.

14.8.10

Pavão Genérico


Hoje tive uma infeliz experiência. Distraidamente, respondi a alguém que postava alguns textos num blogue. Prontamente, o pífio ser disse: "Você faz isso? Eu não tenho paciência para isso!". O pior de tudo foi que tal elemento se diz professor de Língua Portuguesa. Como pode um indivíduo dizer que é professor e ignorar os gêneros textuais hoje tão em voga (vide o fato de que até as Bancas de alguns vestibulares aderiram a livros dos chamados autores blogueiros)?
A empáfia parece-lhe ter tapado os olhos. Um pavão sem beleza, artificial! É isso! Um dublê de professor.

6.8.10


DECISÕES


A notícia trouxe a necessidade
de tomar decisões.
Não quero fugir,
mas não quero ficar...


Decidir machuca:
amigos ficarão chateados,
colegas ficarão desamparados...
O poeta precisa prosseguir
e decidir,
e mudar,
e lutar,
e c-a-n-s-a-r.

O poeta não desiste
e luta!
Luta para vencer
a dura peleja.

Na decisão,
reside a dor
e a vida do poeta.

18.7.10

Citação de Jorge Luís Borges


“O termo final de uma demonstração teológica ou metafísica – o mundo externo, Deus, a causalidade, as formas universais – não é menos anterior e comum que meu divulgado romance. A única diferença é que os filósofos publicam em agradáveis volumes as etapas intermediárias de seu trabalho e eu decidi extraviá-las.”