2.10.11
Lembranças confusas
1.10.11
A morte do passarinho
30.9.11
Malditas Comparações
24.9.11
Ressalvas
o corpo pede calma.
A alma, agitada,
o espírito inquieto
incitam a percorrer o caminho.
Corre-se para onde?
Busca-se o quê?
Sem respostas, o corpo prossegue
nesta difícil tarefa de progredir.
23.9.11
(in)apto a crescer

9.9.11
Na esquina
GROSSERIA
12.8.11
Surpresa
22.7.11
Mente vazia?

5.7.11
Notícia do jornal
12.6.11
O Pêndulo da Morte
As cenas eram confusas. O som incongruente. As galinhas-de-angola, em bando (cinco ou seis talvez) atentamente o observavam. Aceleravam as patas aqui, corriam para ali e céleres cocoricavam em linguajar próprio. Pareciam agitadas (temiam a vidência do porvir?).
Chico Manuel há dias ensaiava a limpeza do pasto. E a foice para o labor? Estava sem corte. Limá-la? Sim. Ao cabo de duas semanas, é claro. A grande apatia demonstrada por ele era compartilhada pela mulher, a decadente “Maria do Chico”.
Neste dia, a taboca era um caldeirão só. Moscas fervilhavam num pedaço delgado de carne. Zumbiam ininterruptamente! Saíram de onde tantos insetos? O pequeno pedaço de carne virou um calhamaço de pontos verdes e varejeiras.
A mulher, capenga de uma perna, apoiada na meia porta, cabelos escassos, catarata em um dos olhos e dois guerreiros dentes naquilo que um dia foram duas arcadas potentes. Tentava mascar uma palha de milho (hábito antigo para passar o tempo). Na velha e escorreita boca, uma porção de catarro dança para lá e para cá. Catarro e palha, palha e catarro...
O marido a contempla.
O velho Totó, acomodado próximo ao fogão de lenha, três patas apenas tinha. A outra? Perdida numa boca de piranha no Rio Piramboia. O coto rabo abanava num movimento inútil. As moscas também lhe cobriam o rosto. Viu Chico Manuel sair, mas permaneceu na inércia. Acompanhar o dono era demandar energia. E na casa onde tudo faltava, abrir mão do repouso enérgico era um privilégio não desejado.
No ombro direito, o cabo da foice dançava amarelecido em Chico. A caminhada era breve mas lhe permitiu a parada para coçar a testa, atritada pela palha do chapéu.
No passivo passo, ainda espantou as angolas que ariscas o circundavam. Bichos enjoados. Saíssem de perto dele, não o importunassem.
Levantou a foice na diagonal direita e a desceu. Zap!, à esquerda. Zap!, à direita.
Sentiu que uma pequena coisa arredondada lhe tocara a perna. Seria apenas uma melancia-de-macaco... Sua precária visão não o permitia discernir o que de muito perto via. Tudo lhe parecia embassado. Mesmo assim, eliminou a moita de mato.
No caminho de volta, pensou na pinguinha que tomaria. Sentiu-se bem. Fizera a sua tarefa do dia.
Ainda transpassava a cerca bamba quando ouviu os alvoroçados sons das galinhas-de-angola.
Na ex-moita, Chico Manuel não viu: haviam se escondido algumas sete angolinhas. Todas mortas e decepadas, todas num amarelo-vermelho, num acinzentado-vermelho sendo veladas tristemente pelas mais velhas angolas.
20.5.11
Pêndulo da morte
12.4.11
Sofrimento
As cenas confundem,
incomodam, inquietam...
São tantas lembranças
que não levam a nada.
São tantos desejos
perdidos em meio
ao lamaçal da consciência.
Como aguentar,
como não gritar,
como deixar a mente
livre de tanta falsidade?
O corpo apresenta os sinais
do descontrole emocional.
O olhar cansado,
a postura curvada:
o poeta é o mártir
de sua própria arte.
25.3.11
20.3.11
Lição da lagartixa

A lagartixa estava ali,
meio sem cor, meio sem vida...
Lentamente, movia-se.
Algo estranho para um ser
tão acostumado a celeridades.
Aproximei-me e vi:
faltava-lhe parte da cabeça,
um dos olhos estava perfurado.
Sofri...
A pobre lagartixa não esboçava
um só lamúrio.
Continuava sua caçada
(quase uma saga impossível),
sem nada conseguir caçar.
A lagartixa mostra
o quanto se vive bem
se ignorarmos a verdade
dos fatos vividos.
7.3.11
Data de nascimento
Não, não lamentem,
não lamuriem o meu nascimento
no século passado!
Sou feliz, tenho vida,
rejuvenesço a cada ano,
busco me reinventar!
Sou feliz pelos amigos que lembram,
pelos alunos que mandam sms,
pela verdade das palavras
que me dizem.
Hoje é meu aniversário
e a felicidade que sinto
compartilho com meus amigos!
1.3.11
Palavras
São tantas as cenas
que elas incoerentemente
existem sozinhas.
Sem reviverem no pensamento,
perpetuam-se no marasmo
que é o esquecimento.
26.2.11
Desabafo
22.2.11
brevidades
O dia cansativo não dizima,
não machuca,
não desilude.
O dia cansativo apenas passa
e com ele ficam as lembranças
de mais um corrido e agitado dia.

