Água que escorre serena,
sussuro suave e leve.
Água que lava e limpa os pés.
Água mole.
Pedra dura.
Água mole
por cima da pedra dura.
Água mole e pedra dura:
paisagem incomparável.
Água que parece infinda,
água da minha lembrança,
água inesquecível.
Água que escorre serena,
sussuro suave e leve.
Água que lava e limpa os pés.
Água mole.
Pedra dura.
Água mole
por cima da pedra dura.
Água mole e pedra dura:
paisagem incomparável.
Água que parece infinda,
água da minha lembrança,
água inesquecível.
Sim! Completamente morta!
Teu corpo exposto,
pintado de um vermelho-vivo,
vermelho-sangue:
Estás toda flagelada
pela ação dele.
Justo ele...
Ele que te teve.
Ele que recebeu teus beijos,
que te aceitou os afagos,
que te arrebatou os sonhos...
Justo ele...
Deveria proteger,
deveria salvar,
deveria amar...
Agora, ele sorri:
Viva alma a escarnecer
do teu corpo jogado, ensanguentado.
E tu, ó mulher, exposta a todos,
mostrada a todos
como se isso fosse banal!
Ó, mulher!
Tu não serás esquecida!
Esse silêncio sentenciado,
essa garganta impedida de si:
sentimento amoroso morto.
O vermelho já não é tão rubro,
o hálito se tornou trivial,
a boca dos beijos
é a mesma boca dos lamentos
As mãos que acariciavam,
e os braços que abraçavam
hoje sofrem passivos
diante do amor que se foi.
Na lembrança, vivas cenas do passado
são lâminas afiadas, cortantes:
O amor que se foi
é uma eterna dor que ficou.
Luciano Byron
dezembro/2005